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História e papel social da universidade serão discutidos ao longo de todo ano e acompanhados de projetos especiais

Foto aérea do campus da Capital (Butantã). Foto: Jorge Maruta /USP

São 85 anos de história e o reconhecimento internacional que a colocam em um privilegiado ranking de uma das melhores instituições de ensino superior do planeta. A Universidade de São Paulo (USP) não conquistou essa posição por acaso: são 6 mil professores, 90 mil alunos na graduação e pós-graduação e quase 13 mil funcionários que fazem funcionar verdadeiras “cidades paralelas” em São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Piracicaba, Pirassununga, Bauru, Lorena, Santos e São Sebastião.

Os números surpreendem, mas não são o único fator determinante para o sucesso da universidade, uma das maiores em credibilidade acadêmica e de pesquisa em todo o mundo. Responsável por mais de 20% da produção científica brasileira, a USP coleciona histórias e descobertas que inspiram e transcendem os laboratórios equipados e a tecnologia avançada – ela forma e transforma cidadãos e a sociedade.

Um breve histórico

A escolha da data para oficializar a criação da nova instituição foi precisamente um 25 de janeiro, quando se comemora o aniversário da capital paulista. O ano, 1934. O “presente” em formato de decreto (nº 6.283) do então interventor estadual, Armando de Salles Oliveira, não seria apenas para os paulistas.

À época, a proposta para a nova universidade era a de uma educação mais abrangente e moderna, com fomentos à ciência e à tecnologia. O principal objetivo: criar uma elite capacitada que pudesse liderar o País.

E o projeto deu certo. Desde 1889, quando o Brasil passa a ser uma República, são contabilizados 41 presidentes e, desses, 14 estudaram na USP, incluindo os formados na Faculdade de Direito, antes da incorporação à universidade.

Evolução constante

Porém, mesmo após 85 anos da sua fundação, engana-se quem pensa que a instituição educacional, que é referência em todo o mundo, está completamente consolidada e não enfrenta novos e grandes desafios.

Segundo o reitor, Vahan Agopyan, eles são constantes e intermináveis, para que a USP se mantenha sempre na ponta. E ser um ambiente de pesquisa é o que proporciona esses resultados – que não são a principal busca da USP nos dias de hoje.

“A formação do aluno se dá num ambiente de pesquisa. É isso que nos prepara para as novidades no futuro. A ideia de universidade, portanto, é a de colaborar, contribuir para o desenvolvimento da sociedade e devolver o que ela investe em nós. Não queremos subir nos rankings, isso é consequência, queremos é servir melhor a essa sociedade”, explica.

Outras comemorações

Também em 2019, a Rádio USP completa 42 anos, uma “jovem senhora” que se tornou referência da propagação de todo o conhecimento produzido dentro da universidade. O professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e membro da Comissão de Direitos Humanos da Universidade, Pedro Dallari, falou ao programa “Globalização e Cidadania” sobre o papel social do veículo.

“A ideia da rádio como um instrumento de vinculação da produção científica da USP é tão antiga quanto a própria universidade. E entre as finalidades da universidade que nascia, estava, obviamente, promover o progresso da ciência, a transmissão do ensino. Mas ainda estava posto que a entidade que ali nascia deveria realizar a obra social de vulgarização das ciências, das letras e das artes, por meio de cursos sintéticos, conferências e palestras e difusão pelo rádio, filmes científicos e congêneres”, conta.

Aproveitando o aniversário da USP, a EDP – empresa que atua no setor elétrico brasileiro – anunciou o investimento de R$ 12 milhões para a restauração do Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga.

Com esse aporte, realizado por meio do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a EDP será a primeira empresa a fechar um contrato com a universidade para apoiar a obra de recuperação do museu, fechado desde 2013.

A obra tem duração prevista de 30 meses e a reinauguração está programada para 2022. “Estamos em um momento histórico, que é a aproximação do marco do bicentenário da Independência do Brasil. Como maior investidor português no País, não poderíamos deixar de estar presentes em um evento tão importante, junto ao Governo do Estado e à USP. O Museu do Ipiranga é um patrimônio que conecta a memória de Portugal e do Brasil, e está no coração do povo brasileiro”, afirmou Miguel Setas, presidente da EDP no Brasil.

Passado e presente

Em 25 de janeiro, exatamente no aniversário de fundação da cidade de São Paulo, foi publicado o decreto de criação da USP, que reunia em uma só instituição sete outras já existentes – entre elas, a Faculdade de Direito, a Faculdade de Medicina e a Escola Politécnica.

A novidade, no entanto, era a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLC), um ambiente que deveria reunir as mais diversas áreas do saber. Para lecionar na recém-fundada unidade, pesquisadores e intelectuais franceses, italianos, alemães e alguns poucos portugueses, espanhóis e estadunidenses vieram ao Brasil entre 1934 e 1944.

A chegada desses estrangeiros possibilitou a criação de uma universidade com formações diversas, pouco exploradas até então no Brasil. Entre os nomes que chegaram à USP naqueles anos, estavam Claude Lévi-Strauss, Gleb Wataghin, Felix Rawitscher, Heinrich Rheinboldt, entre outros intelectuais que contribuíram para o desenvolvimento das ciências em todo o mundo.

“Na Faculdade de Filosofia, temos professores que já eram ou se tornaram famosos. Esses professores foram muito importantes para a construção da universidade e para o que a USP é hoje”, lembra Lilian Miranda, supervisora-técnica de gestão documental do Arquivo Geral da USP.

Para Agopyan, a união entre estes dois momentos é o que fez e faz da USP um ambiente único de divulgação do conhecimento e, acima de tudo, de desafios. E isso só é possível pela forma como a gestão da universidade é conduzida, respeitando as singularidades de cada disciplina ou projeto.

“Temos pouquíssimas universidades de pesquisa desse tamanho no mundo todo e nosso maior desafio é garantir a qualidade e o padrão do ensino. Respeitamos a individualidade de cada Instituto, a parte acadêmica, essa heterogeneidade”, salienta.

“E esse é nosso ponto positivo para mantermos a qualidade. Não há priorização de determinadas áreas para sermos destaque e, assim conseguimos, cada vez mais, uma formação ampla. A universidade que está se desenhando para as próximas décadas é aquela em que a formação é abrangente e onde as pesquisas sejam desenvolvidas cada vez mais num ambiente multidisciplinar.”, conclui.

 

Com informações do Portal do Governo de SP

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