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O que é fascismo, afinal?

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O professor Juliano Domingues escreve interessante artigo: o que é fascismo, afinal?

Por Juliano Domingues

O uso do adjetivo “fascista” tem sido recorrente por parte de críticos de Jair Bolsonaro (PSL) para se referir a ele e aos seus apoiadores. Mas, afinal, o que é fascismo? Seria adequado aplicá-lo ao  caso  em questão?

Um livro que acabou de ser publicado aqui nos EUA pode nos ajudar a encontrar uma resposta. Em Como o fascismo funciona: a política do ‘nós’ e eles·(How fascism works: the politics of us and them) o professor de Yale Jason Stanley analisa táticas fascistas como mecanismos para chegar ao poder. Diversos movimentos políticos fazem uso dessa distinção entre “nós” e ”eles”, a exemplo da divisão de classe comunista. O autor destaca, porém, que no fascismo ela se dá de maneira peculiar a partir de questões raciais, sexuais e religiosas.

O autor lista 10 estratégias de política fascista:

(1) invocar um passado mítico patriarcal e nacionalista que foi destruído e humilhado pelo liberalismo global voltado a “valores universais”, como igualdade;

(2) difundir falsas denúncias e se engajar em campanhas anticorrupção, embora sejam os próprios acusadores reconhecidamente corruptos;

(3) celebrar o anti-intelectual e, com isso, desvalorizar o   debate, de modo a restar somente a força bruta para impor sua visão;

(4) substituir a informação checada por versões “alternativas” e “teorias da conspiração” para fomentar ódio e medo;

(5) assumir a hierarquia como lei natural e negar a ideia de igualdade, por exemplo, entre homens e mulheres;

(6) deslegitimar políticas voltadas a minorias, entendendo-as como ameaça à ordem estabelecida;

(7) dividir os cidadãos em duas classes: os leais à nação e os criminosos por natureza;

(8) promover o pânico em relação ao outro não alinhado com a família tradicional, o que inclui homossexuais e transgêneros;

(9) defender a existência de comunidades puras, preservadas da contaminação   étnica  e   moral dos grandes  centros urbanos;

e, por fim,

(10) propagar o estereótipo de que há aqueles que trabalham duro e seguem a lei, de um lado, e os preguiçosos e corruptos, de  outro.

Stanley apresenta casos da Europa e dos EUA para ilustrar essa política, cuja principal consequência é a destruição de um dos pilares do liberalismo: o respeito mútuo entre as pessoas. Como a lista é um guia para identificar evidências, você pode aplicá-la ao Brasil e tirar suas próprias conclusões.

 

Juliano Domingues é pesquisador Fulbright na Universidade de Tulane (EUA) e professor da Unicap.

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