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Grupo cria primeiro barco do mundo feito 100% com resíduos plásticos

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Barco construído em sua totalidade de resíduos de plástico reciclado encontrados na praia da ilha de Lamu, costa norte do Quênia – Foto: EFE/Abdallah Barghash

Por Patricia Martínez/EFE

Na ilha queniana de Lamu, um grupo conseguiu criar o primeiro barco totalmente construído a partir de plástico reciclado no mundo: o casco é feito com partes de garrafas, escovas de dentes, baldes e pás cobertas por 30 mil chinelos usados.

Todo o plástico deixado no litoral norte do Quênia ou devolvido pelas ondas do mar foi fundido e solidificado em uma fábrica em Malindi, a 150 quilômetros de Lamu, material que deu vida a esta colorida embarcação.

A intensão do grupo é chamar a atenção para o imenso potencial que existe na reutilização do plástico, assim como ressaltar a urgência de se movimentar antes que mais toneladas de resíduos acabem nos oceanos.

O primeiro barco totalmente construído a partir de plástico reciclado no mundo – Foto: EFE/Abdallah Barghash

“O barco não deixa de ser um símbolo. O objetivo final é seguir com nossa campanha mundial contra o plástico de uso único”, explicou à Agência Efe em Nairóbi um dos fundadores do “FlipFlopi Projects”, Dipesh Pabari.

No último dia 15, o barco de plástico realizou sua primeira saída ao mar, o que foi comemorado com uma festa regada à música e comidas tradicionais, além da presenças de moradores de Lamu e do ministro de Turismo do Quênia, Najib Balala.

A ideia nasceu há dois anos, quando Pabari e Ben Morison fundaram o “FlipFlopi Projects” com a intenção de fazer algo para combater a rápida degradação dos oceanos. Então, no ano passado, graças à parceria com vários grupos locais, em dois meses mais de 30 toneladas de plástico foram retiradas das praias da ilha e 10 delas foram reutilizadas na construção do barco.

“O plástico é um dos principais desafios do nosso tempo. Queríamos criar algo que abordasse este problema de uma forma inovadora e fizesse as pessoas pensarem sobre o assunto. Queríamos oferecer uma solução africana para um problema global”, explicou.

O Quênia criou, há pouco mais de um ano, uma rígida lei sobre a fabricação, importação, venda e uso de sacolas plásticas, que podem render multas que variam entre R$ 60 mil e R$ 120 mil.

“Sem dúvida, precisamos de medidas drásticas como essa para conseguir alguma mudança”, defendeu Pabari.

Caso nada mude, 8 milhões de toneladas de plástico continuarão sendo jogadas anualmente no mar, e em 2050 haverá mais desse material sintético do que peixes nos oceanos, conforme dados divulgados pelo Fórum Econômico Mundial.

Em escala global, cinco países (China, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietnã) despejam conjuntamente mais plástico no mar do que o resto do planeta, de acordo com um relatório do Ocean Conservancy de 2017.

“Vivemos na revolução do plástico. Ele está por todos os lados e quase todos os dias a imprensa aborda este problema, mas não é comum encontrar uma história inovadora e positiva que venha deste lado do mundo”, enfatizou Pabari.

A previsão é que o barco, de nove metros de comprimento, vá até Zanzibar, na Tanzânia, no início de 2019 – com apoio da ONU Meio Ambiente -, levando a mensagem de que existe vida além do “uso e descarte”.

Depois, haverá um maior desafio: criar um veleiro de 25 metros de comprimento, igualmente feito com 100% de resíduos plástico, para percorrer os 5.250 quilômetros do Oceano Índico que separam o Quênia da África do Sul.

“Temos que repensar a forma como vivemos. Estamos em um contexto de consumo fácil, no qual não refletimos sobre as consequências: vemos que é barato e compramos. Temos que começar a pensar que o barato sai caro, porque o econômico para o seu bolso, muito frequentemente, é caro para o planeta e para as próximas gerações”, explicou Pabari.

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