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Super-homem

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Uma de minhas crônicas favoritas…

RCP aos 11 anos

Super-homem

Eu tinha onze anos. Era um menino franzino, muito magro, esquelético até. Sempre cortava o cabelo com um barbeiro chamado Gentil, que de gentil não tinha nada, pois sempre reclamava de meus rodamoinhos, culpados pela imperfeição do corte e desculpa para sua habilidade.
Hoje qualquer um poderia atingir a competência dele (Gentil) aparando o cabelo usando uma foice, um cortador de grama ou até uma “makita” e atualmente prefiro fazer o serviço na “Barbearia Três Irmãos”, onde um segura, outro corta e o outro ri. O resultado será sempre o mesmo!

Cursava a 5ª Série numa escola que ficava a meio quarteirão de nossa casa em Auriflama-SP. Lá quase tudo pertence ao centro e o resto, à zona rural.

A cidade tinha um serviço de alto-falantes que era o máximo e por várias vezes fiz dueto com Nilton César cantando: – Receba as flores que lhe dou e em cada flor um beijo meu. Lindo, lindo e muito romântico!

Àquela época assistia o seriado do super-homem em um televisor Colorado R.Q. – “com reserva de qualidade”. Super-homem era meu ídolo: indestrutível; capaz de proezas possíveis a apenas seres de um outro planeta.

Numa noite, após o jantar, fui brincar de super-heróis com meus amigos, vizinhos próximos e cada qual, encarnou seu herói preferido.

Para incorporar o meu, tirei a camisa e desenhei em frente ao espelho, um imenso “S” em meu peito com uma caneta azul. Era o próprio…

Fui para a rua e brincamos até tarde da noite. Horas depois, já cansado de tanta correria e truques, dormi satisfeito do dever cumprido. Tinha salvado o mundo!

Nada de banho e para não sujar muito mais o lençol usava meias. Era um dos truques!

No outro dia, logo pela manhã, acordei, me vesti de branco, tomei o café da manhã e fui para escola, para a aula de educação física numa quadra poli esportiva.

Na verdade a quadra ficava numa outra encosta daquele morro onde o povoado se incrustou e seus moradores orgulhosos chamavam-na de “cidade panorâmica”. “Auriflama – ouro em chamas”. Para mim era o melhor lugar do mundo e vocês concordarão ao final!

Sem ter alguma atividade especial para aquele dia, nosso professor resolveu que deveríamos formar dois times para uma partida de basquetebol.

Como todos os alunos usavam o mesmo uniforme branco para a prática desportiva, o professor solicitou que meu time tirasse a camiseta, para uma possível diferenciação. A aula terminou por ali!

Quando tirei minha camiseta, todos puderam ver aquele imenso “S” desenhado em meu peito. Foi uma gargalhada só.

Foi impossível continuar a atividade daquele dia. Todos pararam para que eu recebesse as homenagens.

Mistério desvendado: o super-homem vivia em Auriflama!

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