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Monsanto, a gigante agroquímica de produtos polêmicos

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A Monsanto tem sido associada à fabricação, junto com outros grupos químicos, do desfolhante conhecido como “Agente Laranja”, usado pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã

O pesticida Roundup à venda na cidade americana de Glendale, Califórnia – Foto: AFP/Arquivos

Há décadas, o nome Monsanto tem sido associado a produtos controversos, por seus efeitos sobre os seres humanos e meio ambiente, principalmente o Roundup, que contém glifosato, no centro de uma ação judicial nos Estados Unidos.

Fundada em 1901, em St. Louis, no Missouri, a Monsanto, que acaba de ser adquirida pelo grupo farmacêutico e agroquímico alemão Bayer por mais de US$ 60 bilhões, começou produzindo sacarina, um potente adoçante, para, em seguida, lançar-se na agroquímica a partir da década de 1940.

A Bayer havia anunciado no início de junho sua intenção de suprimir a marca Monsanto, símbolo, para seus críticos, dos desvios agroquímicos.

A Monsanto tem sido associada à fabricação, junto com outros grupos químicos, do desfolhante conhecido como “Agente Laranja”, usado pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã.

Seu principal e controverso pesticida, o Roundup, foi lançado em 1976. Depois, a Monsanto desenvolveu a primeira célula vegetal geneticamente modificada, antes de se especializar em transgênicos. As primeiras sementes geneticamente modificadas, concebidas para resistir ao Roundup, são comercializadas desde a década de 1990.

O Roundup contém glifosato, uma substância muito polêmica que é objeto de estudos científicos conflitantes quanto à sua natureza carcinogênica. Também é acusado de ser prejudicial ao meio ambiente, de contribuir para o desaparecimento das abelhas, ou de ser um disruptor endócrino.

O glifosato é o pesticida mais utilizado no mundo sob várias marcas, desde que a patente da Monsanto se tornou pública em 2000.

– “Ecocídio” –

Embora a Monsanto tenha sido alvo de numerosos processos judiciais em vários níveis em todo o mundo sobre vários assuntos, o processo aberto em São Francisco a respeito do Roundup e sobre seus possíveis efeitos carcinogênicos é o primeiro desse tipo.

Em 2012, o grupo havia aceitado um acordo de US$ 93 milhões com um município, Nitro, Virgínia Ocidental (leste), que abrigou nos anos 1950 e 1960 uma fábrica que produzia o ingrediente principal do Agente Laranja. As autoridades locais acusaram a fábrica de ser a causa dos problemas de saúde de seus cidadãos.

Na França, a Justiça condenou o grupo norte-americano em segunda instância, em setembro de 2015, a indenizar um agricultor, intoxicado em 2004 por vapores emitidos por outro produto da Monsanto, o Lasso (contendo alacloro), banido em vários países desde então. A Monsanto recorreu.

A autorização de culturas transgênicas na União Europeia provocou polêmica, controvérsias e batalhas judiciais nos últimos 20 anos.

Nos Estados Unidos, os agricultores foram repetidamente derrotados nos tribunais em suas tentativas de contestar as culturas de sementes transgênicas da Monsanto.

Em 2017, um tribunal civil informal de cinco juízes profissionais formados em Haia (Holanda) considerou a empresa culpada de violações dos direitos humanos, impacto ambiental negativo e crime de “ecocídio”, uma opinião puramente consultiva destinada a alimentar as leis existentes, nomeadamente através da criação de uma jurisprudência dentro do Direito Internacional.

Segundo este “Tribunal Monsanto”, “as atividades (do grupo) causam danos ao solo, à água e, em geral, ao meio ambiente”.

A Monsanto denunciou uma “encenação (…) anti-tecnologia agrícola e anti-Monsanto”, negando as “evidências científicas existentes”.

O grupo emprega atualmente 20.000 funcionários em todo mundo, com receita anual de cerca de US$ 15 bilhões.

 

Com informações da AFP

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